Ela ainda brinca. O vento é forte, faz os galhos do grande abacateiro atrás sacudirem furiosamente, lançando ocasionalmente uma infeliz folha na areia onde Ela insiste em desenhar.
Na varanda encontra-se a mulher.
Nada no mundo é mais importante para ela do que observar a pequena figura agachada na sombra da árvore. E assim o fazia. Assim o fez durante minutos apenas. Para Ela poderiam ser anos, vidas! Ah! A inocência do brincar - pensava a mulher com os olhos vidrados - a doçura e a certeza de que tudo está ali, perto o suficiente de um olhar.
Ela ainda brinca. Até quando? Qual é o limite da consciência, que traz tantas dores, que faz desses sonhos de algodão um peso, um fardo de incertezas?
Mas ela ainda brinca, suspira a mulher.
Nada de preocupações agora, Ela é tão jovem!
Tudo está bem... Tudo ainda está bem.

Um comentário:

Ferdi disse...

Enquanto ela achar isso importante e - ao menos - parar pra observar, está salva.